1 mês grátis (cancela quando quiseres)
Futebol de formaçãoTestes físicosPrevenção de lesões

Estirão de Crescimento no Futebol: Guia do PHV

Estirão de crescimento no futebol de formação: calculadora gratuita do ritmo de crescimento e do maturity offset, como medir a altura e o que mudar no treino.

Published

Curva de crescimento ilustrativa de um rapaz no futebol, com o título «Em que fase do estirão está cada jogador?»: ritmo de crescimento em cm por ano por idade, de cerca de 5 cm por ano aos 11 anos até um pico de cerca de 9,7 cm por ano aos 13,8 anos, a descer depois. A curva está dividida em Antes, Durante o estirão e Depois, com linhas tracejadas a 3,5 e 7,2 cm por ano a marcar o crescimento lento, moderado e rápido.

Estirão de crescimento

A resposta curta

Mede a altura com regularidade, lê o ritmo de crescimento ao longo de meses e ajusta o treino dos jogadores que crescem mais depressa.

Resposta rápida

O estirão de crescimento é a fase da adolescência em que o jogador cresce mais depressa, e o pico de velocidade de crescimento (PHV, do inglês peak height velocity) é o momento em que esse ritmo é máximo. Nos estudos de futebol, os rapazes chegam ao PHV por volta dos 13,6 a 13,8 anos, a crescer cerca de 9,7 cm por ano. Para saber em que fase está cada jogador, mede a altura em pé a cada 4 a 6 semanas, converte a diferença em cm por ano e lê a tendência ao longo de três meses ou mais. Os jogadores que crescem mais de cerca de 7,2 cm por ano são os que merecem mais atenção.
Mais abaixo: quando acontece o estirão, o que a investigação sobre lesões mostra e o que não mostra, como medir, como converter alturas num ritmo de crescimento (com uma calculadora), o que as equações dizem e não dizem, o que mudar no treino e que dores seguem logo para o fisioterapeuta.

Momento

1. Em média, o estirão de crescimento atinge o pico por volta dos 13,5 a 14 anos, e a variação é grande

Dois jogadores do mesmo plantel de sub-14 podem estar dois anos afastados na maturação biológica.

Pico de velocidade de crescimento (PHV)

O ritmo máximo de crescimento em altura durante o estirão da adolescência, medido em cm por ano, e a idade em que acontece. Nos estudos brasileiros aparece como PVC.

Example: Um jogador que cresceu 2,4 cm nos três meses à volta do 14.º aniversário estava a crescer cerca de 9,6 cm por ano.

13,8 anos

Idade média no pico de velocidade de crescimento num grupo de jovens futebolistas belgas

O pico foi de 9,7 ± 1,5 cm por ano (Philippaerts et al. 2006, 33 jogadores acompanhados durante cinco anos). Um estudo de 2024 com 58 jogadores encontrou 13,6 anos (Malina et al. 2024).

A média esconde a amplitude: uma variação de quase um ano para cada lado é normal. No estudo de 2024, o desvio-padrão foi de 0,9 anos, e o estirão começou (a fase de arranque, ou take-off) aos 11,2 anos, em média. Em 13 amostras de futebol, os jogadores do norte da Europa atingiram o pico mais tarde do que os do sul (Malina et al. 2024). A fase de crescimento rápido dura cerca de dois anos, mais ou menos um ano para cada lado do pico (Cumming et al. 2017).
As raparigas atingem o pico mais cedo, por volta dos 11,5 anos (Hall e Erskine 2025). Este guia centra-se nos rapazes porque é aí que está a evidência do futebol: uma revisão de 2025 não encontrou nenhum estudo sobre crescimento e lesões em jogadoras de formação.
O desempenho também acompanha o crescimento. No estudo belga, várias qualidades físicas melhoraram mais depressa à volta do pico, e a flexibilidade melhorou mais depressa no ano seguinte (Philippaerts et al. 2006). Isto conta quando comparas os resultados dos testes de um sub-14 com as normas do nosso guia de testes físicos para clubes pequenos (em inglês).
Philippaerts RM et al. (2006), J Sports Sci 24(3):221-30, doi:10.1080/02640410500189371. Malina RM et al. (2024), Biol Sport 41(1):135-44, doi:10.5114/biolsport.2024.127385. Cumming SP et al. (2017), Strength Cond J 39(2):34-47. Hall ECR, Erskine RM (2025), Sports Med, doi:10.1007/s40279-025-02340-0.

Lesões

2. As lesões ligadas ao crescimento concentram-se à volta do estirão, e a evidência ainda é fraca

Forte o suficiente para acompanhar o crescimento de perto, fraca demais para prever a lesão de um jogador concreto.

24,5 vs 11,5

Lesões sem contacto e por sobrecarga por cada 1000 horas de jogo, à volta do estirão vs antes dele

76 jogadores de academia ao longo de duas épocas (Johnson et al. 2020). Uma associação, contada apenas nas horas de jogo.

Crescer depressa é o sinal de alerta mais claro na investigação do futebol. Os jogadores que cresceram 0,6 cm ou mais num mês tiveram mais probabilidade de se lesionar (odds ratio 1,63, Kemper et al. 2015). Numa academia de elite, os jogadores que cresciam mais de 7,2 cm por ano tiveram mais lesões ligadas ao crescimento em todas as fases de maturação (Monasterio et al. 2024), e os jogadores com um pico rápido acumularam cerca de três a quatro vezes mais carga lesional (injury burden) ligada ao crescimento do que os que cresciam a um ritmo médio ou lento (Monasterio et al. 2023).
O ponto fraco é a qualidade da evidência. Uma revisão sistemática de 2025 classificou a sua certeza como «muito baixa» (Pakarinen et al. 2025). Outra revisão de 2025 concluiu que as lesões ligadas ao crescimento se concentram à volta do pico, enquanto os jogadores que já o tinham passado tiveram mais lesões no total (Hall e Erskine 2025). O resumo justo: o estirão é um período para acompanhar de perto, e o ritmo de crescimento é o indicador mais prático para isso. Não te diz que jogador se vai lesionar.
Johnson DM et al. (2020), Eur J Sport Sci 20(4):544-52, doi:10.1080/17461391.2019.1633416. Kemper GLJ et al. (2015), Int J Sports Med 36(13):1112-7, doi:10.1055/s-0035-1555778. Monasterio X et al. (2023), Int J Sports Med 44(4):292-7, doi:10.1055/a-1983-6762. Monasterio X et al. (2024), Biol Sport 41(1):235-44, doi:10.5114/biolsport.2024.129472. Pakarinen O et al. (2025), Health Sci Rep 8(7):e71096, doi:10.1002/hsr2.71096.

Medição

3. Mede a altura em pé a cada 4 a 6 semanas, sempre da mesma forma

Um ritmo de crescimento só é tão bom quanto as duas alturas em que se baseia.

Mede o plantel inteiro pelo menos três vezes por ano, e todos os meses quem estiver perto do estirão ou já dentro dele. É o que sugere uma revisão sobre maturação no futebol de formação (Towlson et al. 2021), e a medição mensal foi a usada no estudo que ligou o crescimento às lesões (Kemper et al. 2015). Medir todos a cada 4 a 6 semanas é mais simples de gerir e cobre as duas coisas.
  1. 1

    Usa um estadiómetro, ou uma fita métrica fixa à parede

    Descalço, calcanhares juntos e encostados à parede, cabeça direita, com a margem inferior da órbita ao nível do pequeno entalhe à frente da orelha.

  2. 2

    Lê no fim de uma expiração normal

    Regista ao 0,1 cm mais próximo. Arredondar ao centímetro apaga um mês de crescimento.

  3. 3

    Mesma pessoa, mesma hora do dia

    A altura muda ao longo do dia, por isso escolhe um momento, como antes da primeira sessão da semana, e mantém-no (Towlson et al. 2021).

  4. 4

    Regista a data com cada altura

    O ritmo de crescimento precisa do tempo entre medições, por isso uma altura sem data não serve para nada.

Medir acrescenta alguns minutos por plantel, e são dados de menores. Diz aos pais o que registas e porquê, e limita o acesso aos elementos da equipa técnica que precisam deles.
Towlson C et al. (2021), J Sport Health Sci 10(4):403-12, doi:10.1016/j.jshs.2020.09.003. Kemper GLJ et al. (2015), Int J Sports Med 36(13):1112-7.

Ritmo de crescimento

4. Converte as alturas em cm por ano e lê a tendência ao longo de três meses ou mais

Duas medições com seis semanas de intervalo têm demasiado ruído por si só.

O ritmo de crescimento é a diferença de altura a dividir pelo tempo entre as duas medições, convertida para um ano: (altura mais recente − altura anterior) ÷ semanas entre elas × 52. Um jogador que cresceu 1,2 cm em 6 semanas está a crescer cerca de 10,4 cm por ano.
O problema é o erro de medição. Um avaliador treinado falha por cerca de 0,23 cm numa única medição (Monasterio et al. 2024). Pelas nossas contas, a diferença entre duas medições traz então, tipicamente, cerca de ± 0,33 cm de ruído. Em 6 semanas, isso dá ± 2,8 cm por ano, cerca de um terço do que cresce um jogador no pico. Em 12 semanas, cai para metade.
Eis um jogador de exemplo (inventado para este guia), medido a cada 6 semanas:
Medições comparadasRitmo de crescimentoErro típico só da medição
Semana 0 a semana 6 (151,0 a 151,9 cm)7,8 cm por ano± 2,8 cm por ano
Semana 6 a semana 12 (151,9 a 153,1 cm)10,4 cm por ano± 2,8 cm por ano
Semana 12 a semana 18 (153,1 a 154,0 cm)7,8 cm por ano± 2,8 cm por ano
Semana 0 a semana 12 (151,0 a 153,1 cm)9,1 cm por ano± 1,4 cm por ano
Semana 0 a semana 18 (151,0 a 154,0 cm)8,7 cm por ano± 0,9 cm por ano
As medições de seis semanas saltam entre 7,8 e 10,4 cm por ano; a de 18 semanas dá 8,7, e é esse o número que deve orientar a decisão. Este jogador está a crescer depressa (acima de 7,2 cm por ano) e muito provavelmente está no estirão. Continua a medir a cada 4 a 6 semanas e lê cada nova altura como mais um ponto da linha.
As faixas vêm desse mesmo estudo da academia: abaixo de 3,5 cm por ano é lento, de 3,5 a 7,2 é moderado e acima de 7,2 é rápido (Monasterio et al. 2024). Towlson et al. (2021) acrescentam que as curvas de crescimento precisam de cerca de dois anos de dados antes de deixarem de enganar, por isso a primeira época de medições é a mais difícil de ler.
Monasterio X et al. (2024), Biol Sport 41(1):235-44, erro de medição de 0,23 cm (erro típico intra-avaliador). Os valores de ruído são um cálculo da Fractall: √2 × 0,23 cm, convertido para um ano.

Calculadora

Calculadora do ritmo de crescimento e do maturity offset

Introduz duas alturas e as semanas entre elas, ou a idade e a altura de um rapaz.

Em que fase do estirão está este jogador?

A parte 1 converte duas alturas com data em cm por ano e mostra quanto disso pode ser erro de medição. A parte 2 estima a distância em anos ao pico, para rapazes, só com a idade e a altura.

1. Ritmo de crescimento a partir de duas medições

Ritmo de crescimento

8,7 cm por ano

Crescimento rápido

Acima de 7,2 cm por ano. Nos estudos de futebol em que este guia se baseia, os jogadores que cresciam mais depressa tiveram mais lesões associadas ao crescimento.

Só o erro de medição costuma fazer variar este valor em cerca de ±1,4 cm por ano com este intervalo.

2. Distância em anos ao pico de velocidade de crescimento (rapazes, só idade e altura)

Distância estimada ao PHV (maturity offset)

-0,6 anos

Durante o estirão

Até cerca de um ano antes ou depois do pico estimado. Idade estimada no pico: 13,6, com uma margem de cerca de 0,5 anos.

A parte 1 usa as faixas de crescimento de Monasterio et al. (2024); a linha do erro é um cálculo nosso, a partir de um erro de 0,23 cm por medição. A parte 2 usa a equação de Moore et al. (2015) para rapazes, só com a altura. Tende a colocar o pico demasiado tarde nos jogadores de maturação precoce e demasiado cedo nos de maturação tardia (Kozieł e Malina 2018), por isso usa a categoria e trata a idade como aproximada. Os valores iniciais são um exemplo e não um jogador real.

Equações

5. Usa as equações de maturação somática para separar os jogadores em pré-PHV, circa-PHV e pós-PHV, nunca para datar o pico

Todos os atalhos têm um erro de cerca de meio ano, e um enviesamento conhecido.

A maioria dos guias sobre PHV aponta para a equação de Mirwald (Mirwald et al. 2002). Precisa da altura sentado e do comprimento das pernas, que a maioria das academias não mede. Moore et al. (2015) publicaram uma versão para rapazes que só precisa da idade e da altura em pé, e é essa a da calculadora acima: maturity offset = −7,999994 + 0,0036124 × idade × altura (cm). Um jogador de 13 anos com 158 cm dá −0,58: cerca de sete meses antes do pico estimado.
MétodoO que precisasAté que ponto confiar
Ritmo de crescimento a partir de alturas repetidasAltura em pé a cada 4 a 6 semanasA leitura mais direta, a partir de três meses ou mais de medições
Equação de Moore só com a altura (rapazes)Idade e altura em péCerca de ± 0,5 anos; mais tarde do que a realidade nos jogadores de maturação precoce, mais cedo nos de maturação tardia
Equação de Mirwald ou de Moore com a altura sentadoIdade, altura em pé e altura sentado (a de Mirwald também precisa do peso)O mesmo erro e o mesmo enviesamento
Percentagem da altura adulta prevista (Khamis-Roche)Idade, altura, peso e a altura medida dos dois paisApanhou o pico em 22 de 23 jogadores de academia num estudo; construída com crianças americanas brancas
As equações são enviesadas precisamente nos jogadores em que mais importa acertar. Colocam o pico demasiado tarde nos jogadores de maturação precoce e demasiado cedo nos de maturação tardia (Kozieł e Malina 2018). Num estudo polaco, a previsão só ficou próxima cerca de dois anos antes do pico real (Malina e Kozieł 2014). Os próprios autores originais aconselharam a tratar o resultado como uma categoria e não como um número (Mirwald et al. 2002).
Se tiveres a altura medida dos dois pais, o método Khamis-Roche prevê a altura adulta, e a altura atual do jogador como percentagem dessa previsão saiu-se melhor no único estudo que os comparou. Nessa academia da Premier League, a janela de 85 a 96% da altura adulta prevista apanhou o pico em 22 de 23 jogadores, contra 14 de 23 com a idade ou o maturity offset (Parr et al. 2020). O método foi construído com crianças americanas brancas (Khamis e Roche 1994), e as alturas dos pais declaradas por eles próprios acrescentam erro. Deixámo-lo fora da calculadora porque precisa de tabelas de coeficientes que ainda não confirmámos com o artigo original.
Mirwald RL et al. (2002), Med Sci Sports Exerc 34(4):689-94, doi:10.1097/00005768-200204000-00020. Moore SA et al. (2015), Med Sci Sports Exerc 47(8):1755-64, doi:10.1249/mss.0000000000000588. Equação tal como reproduzida em Kozieł SM, Malina RM (2018), Sports Med 48(1):221-36, doi:10.1007/s40279-017-0750-y. Malina RM, Kozieł SM (2014), J Sports Sci 32(5):424-37, doi:10.1080/02640414.2013.828850. Khamis HJ, Roche AF (1994), Pediatrics 94(4):504-7, doi:10.1542/peds.94.4.504. Parr J et al. (2020), Ann Hum Biol 47(4):400-8, doi:10.1080/03014460.2020.1782989.

Treino

6. Durante o estirão de crescimento, ajusta a carga e acrescenta trabalho de equilíbrio, receção ao solo e força

Encontrámos um estudo que testou isto no futebol de formação. Eis o que fez.

O único estudo de intervenção que encontrámos no futebol de formação sinalizou os jogadores com base em três sinais e mudou o programa quando havia dois. Os sinais eram: estar entre 88 e 92,8% da altura adulta prevista, crescer 7,2 cm por ano ou mais e ter um crescimento dos membros inferiores de 3,6 cm por ano ou mais. Os jogadores sinalizados, e qualquer jogador com sintomas, tiveram carga de treino ajustada, trabalho técnico específico de futebol, exercícios de equilíbrio, coordenação e receção ao solo, e um programa de força individual (Johnson et al. 2023).
As lesões caíram a pique nos jogadores com os três sinais, de 5,2 para 0,8 por 1000 horas, e não mudaram nos restantes. O estudo comparou épocas antes e depois, sem grupo de controlo, e o resumo do artigo não diz quanto se cortou na carga. Nenhum dos estudos que lemos dá uma percentagem de redução, por isso um número que leias noutro lado é uma escolha de quem treina.

Uma rotina inicial para os jogadores que crescem mais depressa

  • Lista os jogadores que cresceram acima de 7,2 cm por ano nos últimos três meses ou mais.
  • Vê a semana deles: jogos e sessões em todas as equipas em que jogam, mais Educação Física e outros desportos.
  • Evita saltos bruscos na carga de uma semana para a outra. A PSE da sessão torna esses saltos visíveis.
  • Dá-lhes trabalho regular de equilíbrio, coordenação e receção ao solo, e um programa de força individual.
  • Pergunta por dores no joelho e no calcanhar em cada controlo, e encaminha qualquer dor para o fisioterapeuta.
  • Conta com alguns jogadores a parecerem menos coordenados durante algum tempo. A investigação sobre isto é contraditória, por isso avalia cada jogador em vez de o assumir (Quatman-Yates et al. 2012).
Para ver os saltos de carga na semana de um jogador em crescimento, regista a PSE da sessão e lê-a com o rácio de carga aguda:crónica (ACWR), com cuidado: uma semana alta conta menos do que um padrão.
Johnson D et al. (2023), Ann Hum Biol 50(1):452-60, doi:10.1080/03014460.2023.2261854. Quatman-Yates CC et al. (2012), Br J Sports Med 46(9):649-55, doi:10.1136/bjsm.2010.079616.

Dor

7. Dor abaixo da rótula ou no calcanhar num jogador em crescimento segue logo para o fisioterapeuta

A doença de Osgood-Schlatter e a doença de Sever são duas condições ligadas ao crescimento comuns no futebol de formação.

Dor na saliência abaixo da rótula, ou na parte de trás do calcanhar, num jogador em crescimento é motivo para chamar o fisioterapeuta na mesma semana. Numa auditoria a 38 academias inglesas, as condições ligadas ao crescimento representaram 5% das lesões. Osgood-Schlatter (joelho) foi mais comum nos sub-13 e Sever (calcanhar) nos sub-11 (Price et al. 2004). São escalões etários; a ligação ao estirão em si vem de revisões narrativas (Cumming et al. 2017). O diagnóstico e o tratamento cabem ao departamento médico.
O que o preparador físico pode fazer é tornar a dor visível cedo. Um mapa corporal diário deixa o jogador marcar um joelho dorido em segundos, antes de isso se transformar numa sessão perdida; o nosso mapa corporal de dor gratuito mostra como funciona, e o guia de compra de software de monitorização de lesões explica o que o registo de uma lesão deve ter, para quando o fisioterapeuta já tiver visto o jogador.
Price RJ et al. (2004), Br J Sports Med 38(4):466-71, doi:10.1136/bjsm.2003.005165. Cumming SP et al. (2017), Strength Cond J 39(2):34-47.

Bio-banding

8. O bio-banding reduz a diferença de maturação biológica; os efeitos na equidade competitiva e nas lesões não estão provados

Agrupar por maturação em vez de por ano de nascimento, e o que isso mostrou até agora.

O bio-banding agrupa os jogadores pela maturação e não pelo ano de nascimento, normalmente pela percentagem da altura adulta prevista. A Premier League organizou torneios com bio-banding para jogadores dos 11 aos 14 anos que estavam entre 85 e 90% da altura adulta prevista (Cumming et al. 2017). Reduz a diferença de maturação dentro de um grupo, mas não a elimina (Malina et al. 2019).
Para as lesões, a evidência é escassa: os autores escreveram que há «evidência limitada» de que o bio-banding reduza o risco de lesão (Cumming et al. 2017). As academias usam-no para dar aos jogadores de maturação tardia um jogo mais justo e aos de maturação precoce um jogo mais exigente, embora a evidência para isso também seja limitada (Cumming et al. 2017). Mantém a prevenção de lesões na rotina do ritmo de crescimento descrita acima.
Cumming SP et al. (2017), Strength Cond J 39(2):34-47. Malina RM et al. (2019), Sports Med 49(11):1671-85, doi:10.1007/s40279-019-01166-x.

Na Fractall

Medições de altura ao lado do bem-estar, da dor e da carga na Fractall

Regista a altura com o resto dos testes físicos; o ritmo de crescimento continua a ser uma conta que fazes à parte.

Os testes físicos da Fractall incluem a Altura na categoria antropométrica, com o mesmo protocolo de medição incorporado. Introduzes o plantel inteiro numa grelha, e cada registo fica com data.
Grelha de introdução de dados da Fractall para um evento de teste com data de 2026-08-23, com colunas de peso corporal, altura, massa gorda e massa magra para três atletas de demonstração. Os valores de altura são 175, 185 e 175 cm. A interface na imagem está em inglês.
Introdução da altura do plantel nos testes físicos da Fractall. Dados de demonstração em centímetros inteiros; regista os teus jogadores ao 0,1 cm.

Um controlo de crescimento na Fractall

1

Cria um evento de teste a cada 4 a 6 semanas e introduz a Altura do plantel, ao 0,1 cm.

2

Os jogadores veem um gráfico com o histórico dos seus próprios resultados nos testes, na app da Fractall.

3

Os jogadores marcam dor no joelho ou no pé no mapa corporal do check-in diário de bem-estar, por isso vês a dor na manhã em que começa.

4

Lê a PSE da sessão e a carga dos jogadores que crescem mais depressa ao lado do bem-estar, antes de planear a semana deles.

A dor marcada no mapa corporal aparece na monitorização do bem-estar ao lado do resto do check-in da manhã e, depois de o fisioterapeuta a avaliar, registas o diagnóstico na monitorização de lesões.
Com o conector da Fractall para o ChatGPT e o Claude, em beta aberta, podes pedir as medições de altura de cada jogador e deixar o assistente calcular os cm por ano do plantel.

O que a Fractall ainda não faz

  • Não calcula o ritmo de crescimento, o maturity offset nem a percentagem da altura adulta prevista. Usa a calculadora acima ou o conector.
  • A equipa técnica ainda não tem, no painel web, um gráfico da altura ao longo do tempo por jogador; o gráfico de histórico está na app do jogador.
  • Não há campos para a altura sentado nem para a altura dos pais.
  • Não sinaliza os jogadores que crescem mais depressa nem liga o crescimento à carga de treino automaticamente.

Acompanha a altura ao lado do bem-estar e da carga

Regista a altura do plantel nos testes físicos, vê as dores no joelho e no pé no mapa corporal e lê a PSE da sessão dos mesmos jogadores. O primeiro mês é gratuito.

Começar teste gratuito

Limites

O que este guia não consegue dizer

Estudos pequenos, só rapazes, e um jogador de exemplo que não existe.

A maioria dos estudos de futebol aqui citados acompanhou entre 23 e 124 jogadores numa ou em poucas academias, e todos os resultados sobre lesões são associações. As faixas de crescimento e os sinais vêm de uma ou duas academias e não foram testados de forma mais ampla.
A evidência diz respeito a rapazes. Nas raparigas o pico chega mais cedo, e a investigação no futebol sobre crescimento e lesões ainda não existe. O jogador de exemplo da secção 4 é inventado, e os jogadores reais não crescem numa linha tão arrumada.
Um ritmo de crescimento não é um diagnóstico. Dor, coxear ou qualquer coisa que te preocupe segue para o departamento médico.

FAQs

Perguntas frequentes sobre o estirão de crescimento

O que os preparadores físicos perguntam antes de começarem a acompanhar o crescimento.

O que é o estirão de crescimento no futebol?

É a fase da adolescência em que o jogador cresce mais depressa. O momento de crescimento máximo chama-se pico de velocidade de crescimento (PHV). Nos estudos de futebol, os rapazes chegam ao PHV por volta dos 13,6 a 13,8 anos, em média, com uma variação de quase um ano para cada lado, e crescem cerca de 9,7 cm por ano no pico.

Como se calcula o pico de velocidade de crescimento?

Mede a altura em pé a cada 4 a 6 semanas, divide a diferença pelas semanas entre duas medições e multiplica por 52 para obter cm por ano. O ritmo mais alto ao longo do estirão é o pico. Como cada medição tem algum erro, lê o ritmo ao longo de três meses ou mais, e não a partir de duas medições com seis semanas de intervalo.

Com que frequência medir a altura dos jogadores?

Pelo menos três vezes por ano para todos os jogadores, e todos os meses para os que se aproximam do estirão ou já estão dentro dele, como sugere uma revisão sobre maturação no futebol de formação (Towlson et al. 2021). Medir o plantel inteiro a cada 4 a 6 semanas é um meio-termo prático para a maioria das academias.

A calculadora de maturity offset é fiável?

Só de forma aproximada. As equações de maturação somática estimam a distância em anos ao pico de velocidade de crescimento com um erro-padrão de cerca de meio ano, e colocam o pico demasiado tarde nos jogadores de maturação precoce e demasiado cedo nos de maturação tardia (Kozieł e Malina 2018). Usa o resultado para separar os jogadores em antes, durante e depois do estirão (pré-PHV, circa-PHV e pós-PHV), e confirma-o com o ritmo de crescimento medido.

Os jogadores devem parar de treinar durante o estirão?

Não encontrámos nenhum estudo que apoie parar. O único estudo de intervenção que encontrámos no futebol de formação (Johnson et al. 2023) ajustou a carga de treino e acrescentou trabalho técnico, de equilíbrio, de coordenação, de receção ao solo e de força individual para os jogadores com dois de três sinais de crescimento, ou com sintomas. As lesões diminuíram nos jogadores com os três sinais, mas o estudo não teve grupo de controlo. Qualquer jogador com dor vai ao fisioterapeuta.
Como é que a tua academia acompanha o crescimento, e o que muda para um jogador a meio do estirão? Se medes de outra forma ou tens uma rotina que funciona, gostávamos de saber.

Related guides